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Morte em outras culturas – Como outros povos encaram o luto?

A morte em outras culturas

Do silêncio à festa, a morte em outras culturas é compreendida de formas muito distintas. Na cultura moderna do ocidente, existe um grande tabu em torno do assunto, tornando-se um assunto desagradável a partir da Segunda Grande Guerra, como falamos aqui.

No entanto, outros povos e culturas ao redor do mundo encaram o fim do corpo físico como o término de apenas uma etapa em toda a grandiosidade da vida. Desta forma, é possível encontrar diferentes ritos de passagem pelo globo ao longo da história da humanidade. Veja abaixo como alguns povos encaram o luto.

Como a morte em outras culturas é entendida?

Homenagear aqueles que já estiveram entre nós é uma prática unânime entre todas as culturas. Mas o fascinante mora nas características particulares de cada uma.

Cristianismo

Embora exista certo tabu ao falar sobre a morte, a religião cristã acredita que a morte não é o fim da vida, mas uma passagem para uma nova forma de vida. O luto é vivenciado durante o Dia de Finados, comemorado no dia 2 de novembro. Aqui, os entes falecidos são homenageados com flores, queima de velas e orações – um dia de prece e silêncio.

Além da lembrança, o luto também é valorizado como uma forma de lição e aprendizado sobre as situações da vida que proporciona o crescimento e o encontro de respostas.

Hinduísmo

O hinduísmo é a religião com o maior número de adeptos na Índia, apesar do território dividir espaço com o budismo, islamismo e tantas outras fés. Isso porque, além de ser um dos países mais populosos do mundo, é também o mais diverso quando se fala de práticas religiosas.

A ligação do povo indiano com o Rio Ganges é muito grande. Por ser considerado sagrado, toda sua cultura acontece em torno dele. Pelas escadarias de Varanasi – cidade de localização do Ganges – há fogueiras acesas constantemente. O motivo é a cremação dos corpos que terão suas cinzas jogadas no Rio.

Acredita-se que ter suas cinzas derramadas no Ganges ajudará a alma do falecido a atingir o Moksha; um estado de libertação e ressurreição das coisas que prende o homem aos sofrimentos da terra. O que, inclusive, gera filas para as cremações às margens do rio sagrado. Não há motivo para a tristeza da morte no Hinduísmo, pois além de passagem é uma libertação das dores da condição humana.

Tradição Balinesa

A tradição de Bali entende que a cremação libera a alma para que ela seja livre para habitar um novo corpo. Por isso, o ritual da cremação é considerado um dever sagrado para os nativos. Normalmente, o enterro acontece logo após a morte, mas é removido de sua sepultura quando os pormenores da cerimônia são decididos.

Esta cerimônia acontece em três dias de festa. No primeiro dia realiza-se a purificação do cadáver, jogando água benta da cabeça aos pés. No segundo dia, elabora-se as ofertas ao espírito e no terceiro dia acontece a incineração do corpo, que é transferido para um boi de madeira e colocado em uma torre funerária até 12 metros de altura. A altura em que o corpo será posicionado e cremado varia de acordo com a riqueza da família e sua casta.

Cultos Africanos

A vida não acaba na morte, ela continua em outros planos. Essa é a crença das religiões africanas. Os conceitos de vida e morte não são exclusivos ou complementares e não existem linhas de divisão entre a vida e a morte de maneira clara como costumamos entender.

Quando um ente falece, os ritos funerários devem seguir à risca alguns protocolos. Para eles, a jornada até o mundo dos mortos é cheia de interrupções e armadilhas, então se os rituais não forem feitos corretamente, o falecido pode voltar e perturbar os familiares vivos.

Uma das etapas desta ritualística, por exemplo, é remover o cadáver através de um buraco na parede e percorrer o caminho até o cemitério em zigue-zague para que o espírito não           se recorde do caminho de volta. Depois, o buraco é imediatamente fechado.

Cultura Mexicana

Uma das principais celebrações dos povos mexicanos é o Dia de Los Muertos, nos dias 1 e 2 de novembro. O intuito desta festa é relembrar os mortos, a alegria que representavam em vida e tudo o que gostavam. É comum nestas datas, encontrar comidas, mariachis e trios tocando as músicas preferidas do falecido.

Essa festividade é levada tão a sério pela cultura local que virou um dos principais símbolos de seu povo. Um exemplo disso é La Catrinna (uma caveira vestida de forma elegante), uma obra de arte que foi disseminada a níveis extraordinários. Atualmente, alguns mexicanos cultuam a imagem da Santa Morte; uma caveira vestida como santa que recebe cultos e oferendas.

Para os mexicanos, a figura da caveira representa a inevitabilidade da morte que é considerada a libertação das vaidades mundanas.

Como podemos ver, embora a morte seja uma condição obrigatória para haver a vida, cada cultura encara seus processos de maneira própria e particular. Estas são apenas algumas representações das milhares e milhares culturas regionais e religiosas existentes ao longo de toda a história humana.

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